Uma tela de Claude Monet que nunca tinha sido exposta foi vendida por 50 milhões de euros na noite de 22 de outubro de 2026, na Sotheby's de Paris. Íris, pintada no jardim de Giverny por volta de 1924, virou a obra de arte mais cara já leiloada na França.
No Radar Cultural de hoje, a história desse quadro escondido por cem anos e por que as flores de Monet ainda valem tanto.
Cem anos dentro de casa
Íris ficou com a família de Monet depois da morte do pintor, passou para o filho Michel e depois para a coleção Schlumberger, em Paris. Por décadas, ninguém de fora viu a pintura. Até o leilão, ela era conhecida só por uma fotografia em preto e branco.
A tela é grande, com cerca de 1,60 m de altura por 1,80 m de largura. Faz parte de um grupo raro de umas vinte pinturas de íris que Monet fez entre 1914 e 1925. A irmã mais próxima dela está no Musée Marmottan Monet, em Paris.
45 minutos de disputa
A Sotheby's esperava algo entre 22 e 30 milhões de euros. Seis colecionadores disputaram o lote por cerca de 45 minutos, até um comprador particular da Ásia, ao telefone, levar a obra. Com as taxas, o valor chegou a 50 milhões de euros, perto de 56 milhões de dólares.
O recorde anterior na França era de um Modigliani, vendido em 2010 por 43,2 milhões de euros. O leilão inteiro da coleção Schlumberger vendeu todos os lotes e somou 74,4 milhões de euros, o maior resultado da Sotheby's em Paris.
E o recorde de Monet no mundo continua sendo Meules, um dos montes de feno, vendido em Nova York em 2019 por 110,7 milhões de dólares.

O jardim como ateliê
Monet se mudou para Giverny em 1883 e passou o resto da vida transformando o terreno em pintura. Plantou canteiros de flores, desviou um braço de rio, criou o lago dos nenúfares e a ponte japonesa. Dizia que o jardim era a obra mais bonita que tinha feito.
As íris crescem na beira do lago e nos canteiros que descem até a água. Nos últimos anos de vida, já com a visão prejudicada pela catarata, Monet pintava essas flores em pinceladas largas, quase soltas, com roxos, azuis e verdes que se misturam. É uma pintura que parece chegar perto da abstração, e é por isso que ela conversa tão bem com casas de hoje.
Monet morreu em Giverny em dezembro de 1926. Os grandes painéis de nenúfares que ele deu à França foram instalados no Musée de l'Orangerie no ano seguinte, e continuam lá.
A outra Íris famosa
Não é a primeira vez que uma íris faz história em leilão. Em 1987, Íris, de Vincent van Gogh, pintada em 1889 no asilo de Saint-Rémy, foi vendida em Nova York por 53,9 milhões de dólares, recorde mundial na época. Hoje ela está no Getty Museum, em Los Angeles.
Van Gogh voltou às íris em 1890, num vaso sobre fundo amarelo, com a mesma força de cor. Dois pintores, duas maneiras de olhar para a mesma flor. Monet dissolve a íris na luz do jardim, Van Gogh desenha cada folha como uma chama.

Semana de Monet em Paris
No mesmo dia 22, a Christie's de Paris levou a leilão a coleção da família Durand-Ruel, do marchand que apostou nos impressionistas quando quase ninguém comprava. O destaque era Bord des falaises à Pourville, uma paisagem de Monet de 1882 na costa da Normandia, estimada entre 11 e 15 milhões de euros.
Foi nessa mesma temporada na Normandia que Monet pintou Maré Baixa em Pourville, perto de Dieppe, hoje no Cleveland Museum of Art. Tudo isso aconteceu na semana da Art Basel Paris, que vai até 25 de outubro no Grand Palais.
Na sua parede
A Íris de 50 milhões foi para uma coleção particular. A luz de Giverny pode ir para a sua sala. Nos Clássicos ACERVOH você encontra Nenúfares, o lago de Monet, e Íris, de Van Gogh. Para quem prefere o mar da Normandia, tem Maré Baixa em Pourville.
Todos em impressão Fine Art em papel 100% algodão, com tinta de pigmento mineral, paspatur, moldura filete preta e vidro, produzidos sob encomenda. Saem a partir de R$ 349 no 30x42 e R$ 799 no 50x70, medida total com moldura. Na dúvida sobre a parede, veja Como escolher o tamanho.
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Fontes: Artprice, Sotheby's Paris, Iris de Claude Monet estimada em até 30 milhões de euros (outubro de 2026); ARTnews, venda de Iris na Sotheby's Paris (22 de outubro de 2026); AFP via CP24 (22 de outubro de 2026); Bloomberg (22 de outubro de 2026); Finestre sull'Arte, coleção Durand-Ruel na Christie's (2026); Getty Museum e Cleveland Museum of Art, fichas das obras.
