Ismael Nery ganha grande panorâmica na Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo está com uma grande panorâmica de Ismael Nery. Ismael Nery, armadilha moderna reúne cerca de 230 obras no Pina Luz e fica em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

No Radar Cultural de hoje, quem foi esse pintor que viveu só 33 anos e deixou um dos trabalhos mais estranhos e bonitos do modernismo brasileiro.

De Belém a Paris

Ismael Nery nasceu em Belém do Pará, em 1900, e cresceu no Rio de Janeiro. Entrou na Escola Nacional de Belas Artes em 1917 e, três anos depois, foi estudar na Académie Julian, em Paris. Voltou à Europa no fim dos anos 1920 e conviveu com o círculo dos surrealistas, com nomes como André Breton e Marc Chagall.

Foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo e poeta. Trabalhou boa parte da vida como desenhista num órgão público e pintava nas horas livres, sem se preocupar muito em vender ou expor. Morreu em 1934, no Rio, por complicações da tuberculose.

O corpo como pergunta

O que mais chama atenção na obra de Ismael Nery são os corpos. Figuras alongadas, às vezes sem rosto definido, homem e mulher que se misturam numa só imagem. Ele pintava o corpo como um lugar de pergunta sobre quem a gente é, sobre desejo, fé e morte.

Ele chamou essa ideia de essencialismo. A proposta era se desprender do tempo e do espaço e chegar ao que é essencial no ser humano. Por isso tantas cenas parecem flutuar, fora de qualquer lugar conhecido.

Autorretrato com Adalgisa

Uma das obras mais comentadas da mostra é o Autorretrato com Adalgisa, em que o rosto dele e o da esposa aparecem sobrepostos. Adalgisa Nery foi escritora e poeta, e a relação dos dois atravessa muitos quadros. Também estão lá Visão Interna, Agonia e Eternidade, ambas de 1931, com corpos abertos e fragmentados que parecem se misturar com a paisagem.

Durante muito tempo quem guardou e divulgou esse trabalho foi o amigo e poeta Murilo Mendes. Sem ele, boa parte dessa obra talvez tivesse se perdido.

Quadro Madame X, de John Singer Sargent, retrato de mulher de vestido preto

Uma armadilha moderna

O nome da exposição brinca com a ideia de que Ismael Nery não cabe nas caixinhas do modernismo. Ele não seguiu a linha mais conhecida da Semana de 22, preferiu um caminho próprio, entre o surrealismo, o cubismo e a religião. A curadoria é de Yuri Quevedo, e a mostra ocupa sete salas com desenhos, pinturas, retratos e autorretratos.

Por que vale ver agora

Depois da morte, Ismael Nery ficou décadas conhecido por um grupo pequeno de artistas e poetas. Pintou pouco para o mercado, quase não expôs em vida e muitas obras ficaram espalhadas em coleções particulares. Ver 230 trabalhos juntos é uma chance rara de entender o pensamento inteiro dele, do desenho rápido ao quadro grande.

Os desenhos merecem atenção especial. Muitos são feitos com poucas linhas, quase um gesto só, e mostram como ele pensava o corpo antes de levar para a tela. Para quem gosta de arte que deixa o traço aparecer, é a parte mais bonita da visita.

E é uma mostra que conversa com o agora. Identidade, corpo e afeto continuam sendo perguntas abertas, e Nery já pintava essas perguntas há quase cem anos.

Como visitar

  • No Pina Luz, 1º andar, na Praça da Luz, 2, em São Paulo.
  • De 5 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, de quarta a segunda, das 10h às 18h, com entrada até as 17h.
  • Entrada gratuita aos sábados e no segundo domingo do mês. Nos outros dias, R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia.

Na sua parede

Ismael Nery passou pela mesma Paris dos grandes retratos que atravessaram o século. Nos Clássicos ACERVOH estão Madame X, de John Singer Sargent, o retrato que causou escândalo no Salão de Paris de 1884, e Jane Avril, de Toulouse-Lautrec, a dançarina que virou símbolo da Paris moderna. Duas mulheres que olham de lado e guardam um mistério, como as figuras de Nery.

Quadro Jane Avril, de Toulouse-Lautrec, cartaz da dançarina de vestido laranja

Ambos em impressão Fine Art em papel 100% algodão, com moldura filete preta, paspatur e vidro, produzidos sob encomenda. Se quiser ver como fica na sua sala, o guia Como escolher o tamanho ajuda.

Já foi ver a mostra? Conta pra gente no WhatsApp (11) 94159-7771.

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Fontes: Pinacoteca de São Paulo, página da exposição Ismael Nery, armadilha moderna (5 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027); Enciclopédia Itaú Cultural, ficha da exposição; GPS Brasília, programação da Pinacoteca 2026.